Lumiar . Lisboa

MORADIA

Localizada na zona do Lumiar, esta moradia, desenhada pelo arquiteto Eduardo Souto de Moura, apresenta uma arquitetura de linhas depuradas, amplos vãos e uma forte relação com os jardins exteriores.

O projeto de interiores nasceu do respeito pela arquitetura existente e da vontade de criar uma intervenção contemporânea, coerente com a linguagem do espaço. Foi uma experiência particularmente especial poder desenvolver os interiores de uma casa concebida por um dos mais reconhecidos arquitetos portugueses.

A materialidade assumiu um papel central em todo o projeto. A madeira afizélia, o ferro corten e os lacados em tons claros foram utilizados de forma contínua, criando unidade entre os diferentes espaços e reduzindo o ruído visual. Grande parte do mobiliário foi desenhada à medida, permitindo responder à arquitetura e às necessidades específicas dos clientes.

No longo corredor de acesso às áreas sociais, foram criados oito painéis em madeira com iluminação integrada, que ritmam e organizam o percurso. No lado oposto, desenvolvemos, em colaboração com o filho dos clientes, fotógrafo, uma imagem da Praça do Comércio, em Lisboa, igualmente fragmentada segundo a mesma leitura dos painéis. O diálogo entre fotografia, arquitetura e luz transforma este espaço de passagem numa experiência visual.

No hall de entrada, de grande dimensão, a seleção de peças de design e iluminação procurou criar uma atmosfera acolhedora e contemporânea. Uma obra de arte portuguesa de grande formato assume-se como ponto focal e reforça a identidade do espaço.

Na cozinha, de linguagem minimalista, introduzimos peças de iluminação de desenho orgânico, trazendo uma dimensão mais sensorial e expressiva a um ambiente de linhas depuradas.

Na sala, o mobiliário foi integralmente desenvolvido para o projeto, criando continuidade entre formas e materiais. Destaca-se a peça de iluminação orgânica sobre a mesa de refeições, introduzindo leveza, transparência e contraste numa composição marcada por uma linguagem mais sóbria.

Um dos elementos mais pessoais do projeto foi a criação de uma estante escultórica, desenhada para receber os objetos e memórias das muitas viagens dos clientes. A iluminação integrada, cuidadosamente estudada, transforma algumas zonas da estante em pequenos espaços de exposição, valorizando cada peça e reforçando o carácter pessoal da casa.

O escritório foi pensado como um espaço elegante, funcional e contemporâneo. Poucas peças, mas cuidadosamente selecionadas e desenhadas: uma secretária de presença marcante, uma estante iluminada e uma fotografia de autor de grande formato. A continuidade entre madeira natural, lacado e detalhes em ferro corten mantém a coerência com o restante projeto.

No hall de acesso aos quartos, o elevado pé-direito e a linguagem minimal da arquitetura dialogam com fotografias de grande formato da Ponte 25 de Abril, da autoria do filho dos clientes, criando uma composição contemporânea e profundamente ligada à cidade.

Na suite, procurámos criar uma atmosfera mais suave e envolvente. A cabeceira da cama foi desenvolvida em painéis revestidos a linho natural, prolongando-se visualmente através das paredes e dos cortinados. O mobiliário personalizado convive com algumas peças antigas dos clientes, criando um equilíbrio entre o contemporâneo, a memória e a identidade pessoal.

Os jardins exteriores e a piscina prolongam naturalmente a experiência da casa, reforçando a ligação entre arquitetura, interior e natureza. Pensados como futuros espaços de convívio e permanência, completam a atmosfera serena e luminosa desta moradia.

Um projeto onde arquitetura, luz, matéria, arte e memória se encontram para criar uma casa com identidade, continuidade e personalidade.