Exposição COLETIVO 284 LISBOA, PORTUGAL

ONDE PENSAS QUE VAIS?

EXPOSIÇÃO DE PINTURA, LUZ – PAULA GOUVEIA E ESCULTURA – CARLOS RAMOS

Paula Gouveia assume a urgência de um alerta geral e consciente para a reflexão, nem que seja por instantes, sobre a importância do regresso ao encontro humano e à simplicidade das coisas pequenas e quase invisíveis, para um mundo onde se possa VIVER os dias do hoje.

Onde pensas que vais? (ecoa nos nossos olhos)

Através das suas cores leves, embora de contrastes fortes, através dos traços e texturas que caracterizam os seus trabalhos, da delicadeza e sustentabilidade das suas peças de autor, da materialidade das suas telas e das temáticas insistentemente à volta da natureza, do corre-corre dos seus corpos estilizados, mas também da ausência dos mesmos (em detrimento de um só), Paula Gouveia passa uma mensagem de alerta para um mundo mais consciente, mais de proximidade, mais irmanado com o que a vida deve ser.

Denuncia o frenesim (para onde…?),o turbilhão, o caos, o estado de não consciência que conduz à inconsciência das escolhas diárias: a agressão, sem dó, sem piedade, ao ambiente natural que nos rodeia, a desumanização e a degradação, passo a passo, em cegueira, das relações o outro e com a natureza, a solidão como uma condenação, como uma epidemia silenciosa.  É essa a consciência e sensibilidade presente na obra da artista.

Acompanhando em aplauso e sintonia a linguagem artística de Paula Gouveia, a frieza do ferro e a simplicidade da beleza que é a figura humana e as suas flores, folhas, é a abordagem desenvolvida pelo artista Carlos Ramos, com enfoque numa temática de corpos estilizados e da natureza romântica no seu esplendor.

 “Dispensando esquissos e projetos em papel, Carlos Ramos como que num impulso repentino prefere passar diretamente para a matéria, deixando a obra fluir e crescer na sua escala e contornos. As suas peças traduzem-se em formas orgânicas, depuradas, numa linguagem própria e madura. Podemos encontrar em algumas das suas obras letras, versos que complementam a poesia da peça. Independentemente do material com que trabalha, Carlos Ramos desenvolve com mestria um jogo espacial que ajuda a consolidar a atmosfera da peça, criando espaços vazios no seu interior que vivificam a densidade e o peso da obra.” Texto de autoria de Catarina da Ponte

Pintura, Luz e Escultura, duas propostas artísticas aqui presentes, linguagens diversas, matérias distintas, conseguem criar uma só voz, um ritmo onde sobressai o uníssono. Como na música, assiste-se à execução simultânea do mesmo acorde por diferentes instrumentos, criando harmonia, unidade, o mesmo apelo: onde pensas que vais…? (se assim continuares)

Reflexão, regresso à essência, alerta – são as traves-mestras deste trabalho a dois que aqui se apresenta.

Teresa Carreiro

 

Exposição COLETIVO 284 LISBOA, PORTUGAL